Os Meus Partos

E esta é a historinha de como o Kakau e a Gaia vieram a este mundo...



2/28/2008

Gaia nasceu em casa

Estou aqui nesta bela tarde de verão, escutando a música "Romance", Marcus Viana, que embalou seu trabalho parto e olhando vc dormir... Inspirada para escrever sobre aquele dia.
Sua vinda foi envolta por muito romantismo, tranquilidade e fé. Como deveria ser todo nascimento humano.

O que eu e seu papai, Sandro, sentimos um pelo outro é muito forte. Intenso e doce. Delícia saber que vc existiu por causa desse amor.
Meses, talvez anos antes de engravidar, sabíamos que vc viria. Antes queríamos saber o dia da fecundação, o momento exato em que seria feita, mas depois decidimos simplesmente deixar vc vir quando quisesse. E vc veio logo.

Temos dúvidas quanto ao dia em que foi feita, porque dificilmente foi no período fértil. Ou vc foi gerada ou na noite do meu niver, 11/03, quando voltávamos de uma convenção da Seicho-no-ie em Ibiúna (e dormimos em Guarulhos) ou nas montanhas em Itatiaia no final de março, onde fomos acampar com seu irmão. A noite estava mto fria, sabe como é... Dormimos agarradinhos, nos amando muito. Lá eu ficava pensando que já poderia estar grávida, mas era só um devaneio. Sua presença foi forte e especial desde o início.

Minha menstruação então atrasou. Isso só havia acontecido uma vez e foi quando veio seu irmão.
Contei pro seu pai. Ele colocou a mão na minha barriga e ficou queito. Depois contou que foi porque sentiu vc.

Seu irmão também percebeu algo. Por aqueles dias, nem eu sabia que estava grávida, fui tomar banho e ele passou por mim, colocando a mão na minha barriga e dizendo " Tem neném aqui...". Insisti pra repetir, mas ele nunca repetiu.

Comprei um teste de gravidez e falei com papai que iria fazê-lo e ele não deixou. Deveria ser num lugar diferente, especial. Então na tarde de domingo, dia 15 de abril, fomos para uma linda cachoeira em Penedo. Nos curtimos com a possibilidade de vc já estar lá. Esperamos as pessoas irem embora, então fiz xixi no potinho e colocamos a fita dentro... Fizemos uma oração, um pensamento positivo... Olhamos então a fita com 2 tracinhos... Eu fiquei como uma estátua parada, olhando pra frente, porque sabia o que significava. Seu pai ainda foi ver na legenda da caixa o que significavam o resultado...
Eu olhando a cachoeira boquiaberta e ele "Deixa ver, 2 tracinhos, 2 tracinhos... Cadê? Ah achei. É positivo!" Nos assustamos, nos olhamos, compreendemos e sorrimos. A bochecha chegava doer. Nadamos, agradecemos, te recebemos, nos demos parabens e te amamos. Pude te sentir já enraizada no meu útero... Meu útero mais uma vez ocupado com um bebezinhoconfiado a nós. Imaginei os meses, o parto, até vc chegar de vez a nossos destinos.

Eu queria contar pra todo mundo, mas preferi esperar um pouco. Curtir aquele segredo, só nós... Foi muito gostoso.

Liguei pra Helo, uma das enfermeiras obstetras (ou parteira, como gosto de chamar), contei a novidade e que queria parir de novo da mesma forma.

Minha gravidez foi muito saudável... Eu estava bem comigo mesma antes de tudo e isso fez a diferença.
Trabalhei muito, inclusive com humanizaçao do parto na nossa cidade e trabalhei até a sexta anterior ao seu nascimento, um domingo.

Não quisemos saber seu sexo antes do nascimento, mas sua energia feminina era grande... Íamos amar o que viesse, então para que saber antes? Acredito que o bebê nao tem sexo, ou melhor, o papel social que o sexo exerce. Queria me furtar essa emoção, trocar a hora de saber quem vc era. Não vejo a mesma graça pela ultrassonografia. Queria viver todas as emoções a que tinha direito no nascimento.

Eu soube que vc era uma menina muito antes de engravidar. E disse isso a várias pessoas. Quando engravidei mesmo, sua energia ficou forte demais para negar. Tentávamos não pensar no seu sexo, mas quando víamos, estávamos nos referindo a vc como "ela". E só conseguíamos gostar de nomes femininos. E Minha DUM foi no dia Internacional da mulher!

Comprei um livro de nomes e dei de presente ao seu pai. Lembrei de uma conhecida chamada "Aglaia", quando li este nome no livro. Mostrei a ele os poucos que havia gostado e esse, em especial. A paixão dele também foi à primeira vista pelo seu nome.
Do grego "Bela, Glóriosa" e uma flor muito perfumada, segundo a bisa.
Significa tudo o que vc é.
Não conseguimos gostar tanto de nenhum outro. Vc escolheu seu nome, Aglaia.

Duas semanas antes de vc nascer, comecei a perder o tampao mucoso, aquela secreção amarela que sai uns dias antes do parto. Mas eu não queria ainda, porque era cedo. E fiquei receosa, pois seu irmão nasceu 4 dias depois do tampão. Queria levar esta gravidez até 42 semanas, pois estava muuuiito gostoso ter vc dentro de mim. A data provavel do seu parto era 13/12, com limite 27/12 e eu queria ir até mais se deixassem!

O dia em que vc nasceu foi normal para minha rotina de grávida. Umas dores lombares incômodas tratadas com muita fisioterapia. A única coisa diferente foi ter passado o dia todo sem minha fiel companheira da gravidez, a azia. Era um sinal de que vc havia descido, mas não percebi.

Lá pelas 16h, o Kakau estava assistindo DVDs e nós dois fomos para o quarto namorar. Foi especialmente bom. Nesse momento, seu pai disse: "Da mesma forma que eu coloquei esse bebê aí dentro, eu vou tirar", [........ .] Depois demos as mãos e dormimos. Antes das 18h, acordei com contrações parecidas com Braxton Hicks (pergunta que a mamâe te explica). Mas era só um desconforto, sentia que estava tudo bem. Simplesmente, o sexo desencadeou o trabalho de parto!

Resolvemos contar as contrações em 10 minutos. 3 eram de 50 segundos a um minuto e outra de 35 segundos. 4 em 10 vc sabe o que significa, né? Mas não estava doendo, so incomodando. .. Não acreditava mesmo que pudesse ser o trabalho de parto. No do seu irmão doeu o tempo todo. Mas acho que desta vez, estava muito mais preparada.

Cismei que tinha que ir andando à casa de uma colega entregar a apresentação em CDo que faríamos no dia seguinte. Ficava a uns 200metros de casa, ou seja, 400metros, ida e volta. Fomos os 4 lá.

Eu e essa colega ainda ficamos batendo papo lá de pé. Enquanto isso, vc devia estar descendo... Eu ainda disse a ela: "Estuda isso direito porque conforme for, nem apareço amanhã!". Praticamente uma premonição já que nao achava que poderia estar em adiantado trabalho de parto.

Fomos aproveitar a última noite sem vc (não sabíamos que seria a última!!) e comer nosso tradicional hamburguer vegetariano do Kikão em frente à única pracinha da cidade! Enchemos a pança e fomos pro banquinho da praça namorar, enquanto o maninho foi pros brinquedinhos. Mandei mensagem pra Kiki, minha amiga doula japonesinha que engravidou junto comigo, falando pra parir logo se quisesse antes de mim. Eram 8h30. Namoramos muito lá.

As contrações não iam embora nem doíam. Quase 9h, resolvemos ligar pra Helô. Contei que estava com contrações incômodas, indolores e bem frequentes, 4 em 10 e azia tinha desaparecido, que poderia ser o bebê baixando e que poderia estar em pródromos e também que tínhamos, de certa forma, "Provocado" o trabalho de parto :) e ela pediu pra ir pra casa na mesma hora e que já estava vindo.

Ela estava no nosso encontro trimestral dos "Bem-vindos", famílias que tiveram seus filhos em casa com ela. Não fui, porque o parto estava "próximo". Se tivesse ido, não teria um parto em casa, mas um parto no carro!

Eu disse a ela: "Ta vendo? por isso eu não queria te avisar, agora vc vem que nem uma desesperada do Rio pra Piraí por causa de pródromos!... " Até ela percebeu que eu ia parir e eu não... Na verdade, estava tudo bem.

Não fomos pra casa. Voltamos pro banquinho em que estávamos, o Sandro sentou e eu deitei a cabeça em seu colo. Ficamos especulando sobre ser o Trabalho de parto mesmo, nos olhando com uma felicidade radiante nos olhos, contando as contrações que continuavam frequentes e longas...

Depois de uns 20 minutos ali, senti um estalo na vagina e algo descer quente, parecia menstruação. O Sandro diz que eu falei "Tem alguma coisa descendo aqui!". Levantamos e começou a escorrer muito líquido.

Ficamos muuuiiito felizes com isto. Nos olhamos com brilho nos olhos e pensamos "Chegou a hora". Chamamos seu irmão que ainda me inventa de fazer pirraça para ficar na rua brincando mais.
Forramos a toalha, que já ficava no carro, no carona e viemos para casa. Rapidamente, a roupa da mamãe ficou encharcada.

Em casa, fui ao banheiro, olhei a calcinha. Queria ver como era, porque no parto do seu kakau, a bolsa foi rompida e entrei na piscina, então não vi nem curti.

Enquanto seu pai resolvia arrumar toda a casa para o parto e testar a piscininha em cima da hora, as dores iam apertando e fui tomar um banho. Quando a contração vinha, eu tinha que me apoiar na parede do box e parar tudo para entrar na dor, entrar em mim para colocar o meu bebê para fora.

Ainda deu pra me depilar durante o banho. Não era necessário, mas eu queria ficar linda no filme! Besteira, porque estava escuro.

Deitei no sofá da sala, enquanto seu papai estava todo enrolado ajeitando tudo. Ele colocou o DVD que escuto agora e imagens com imagens de águe. Perfeito.
O Kau ficou no outro sofá e caiu no sono. Eu o queria presente, tentei prepará-lo.

Papai colocou o colchão do quarto na sala e fuquei lá. De vez em quando, ele parava tudo e vinha segurar minha mão. Ele estava radiante. Parecia uma criança em dia de Natal. Acho que ele nunca esteve tão feliz.

A Helô ligou do caminho. A voz dela estava diferente do habitual, profundamente calma. Perguntou como eu estava e disse que estava chegando. Me passou uma tranquilidade natural que não consigo descrever. Era como uma proteção... Nao sei dizer.

Veio sozinha porque, desde o pré-natal, eu pedi.Eu havia falado sobre meu desejo de parir de uma forma mais íntima. Diferente da outra vez que tinha muita gente. Somente ela, Sandro e Klauss.

Me deu uma vontade desesperada de vomitar. Corri pro banheiro, mas acabei sujando o vaso e o chão. Era aquela overdose de hamburguer Veggie intraparto.. .

A Helô chegou umas dez horas. Engraçado esse olhar de quando a parteira chega. Não se fala muito, é silencioso, quase não estava ali. Parece que a segurança está mais do que a pessoa em si. Acho que ela disse algumas poucas palavras incentivando e
ficou invisível de novo. Sentei no outro sofá e ela auscultou o batimento. Percebi que durante a contração, caiu muito a frequência do seu coração. Mesmo se eu não tivesse percebido, teria visto nos olhos da Helô. Depois seu pai disse que também percebeu diminuição. Ela continuou a auscultar por mais tempo e em seguida e estabilizou.

Disse à Helo: "Sei que vc não gosta de fazer toque, mas por favor, quando eu te pedir, faz porque já não estarei aguentando mais" e ela respondeu: "Eu vim pensando sobre isso. Eu vou fazer tudo que vc pedir".

Papai trouxe nosso colchão para a sala, enquanto a banheira enchia. A dor era muito forte nessa hora. A todo momento eu o chamava para ficar comigo e ele ficava muito feliz com isto. Mas ele estava muito excitado, enchendo a piscina, pegando panos,
travesseiros, todo enrolado, tadinho...

A Helô ficou num canto, no escuro, escrevendo e me olhando de longe. Deitei no colchão do lado direito, segurei a mão dele mais uma vez e pedi: "Faz passar, meu amor...", mas a vontade era de dizer "Divide comigo!" Até que num momento acho que acabei dizendo isso baixinho e senti que ele aceitou repatir comigo a dor.

Pedi pra ela fazer um toque uns 20 minutos depois. Ela pediu licença e disse que ainda estava em 5cm, mas muito mole e fácil de dilatar. Depois que nasceu, ela contou que era entre 4 e 5 cm. Eu achei muito pouco, mas precisava saber em que parte do parto eu estava.

O Sandro disse no meu ouvido: "Agora deixa o trabalho comigo. Eu disse que vou tirar ele daí do mesmo jeito que coloquei".
E respondi: "Tem que nascer ate pouco depois de meia noite. Do jeito que estar eu não vou aguentar muito, não".

Lembrei da câmera, ela não podia faltar e ainda o orientava como mexer nela. A Helô achava incrível como eu não me desligava e queria ter o controle sobre tudo!...

Ela então pediu pra eu me entregar à dor, não evita-la, não temê-la. Eu levei o negocio a sério e quando a contração vinha, eu procurava dizer em pensamento, às vezes chegando a dizer baixinho "Que delícia...". Pensava que se eu falase com bastante fé,
eu poderia acabar acreditando!

Ela pediu para eu não ter medo da próxima contração. Colocou a mão no meu quadril e gritei"Nao!. ..", ela se desculpou. Nem era para tanto, mas eu não podia explicar.

O papai pediu para deixar com ele e começou a fazer umas energizações, empurrando minha barriga, para baixo, sem encostar. Eu estava de lado e, mesmo de olhos fechados, disse a ele "Tem uma coisa aqui... É uma vontade de nascer..."
Engraçado dizer assim...

Virei de barriga pra cima, meio sentada, meio deitada, apoiada em travesseiros. Ele ajeitava a câmera e começou a filmar. Veio mais uma contração com seu pai fazendo aqueles movimentos sem tocar e vc desceu mais.

A Helô perguntou se tinha alguma bebida alcoólica em casa, como whisky, porque algumas parteiras dão nessa hora à parturiente e isso ajuda na entrega, na melhora da dor. E a gente não tinha nada... O Sandro perguntou "Serve vinho?", ela disse que sim. A gente tinha um aberto há tempos, porque quase nunca bebemos. Ele trouxe um copo cheio. Acho que bebi tudo de uma vez. E
realmente relaxei um pouco.

A parteira saiu do cômodo para pegar alguma coisa (depois ela disse que era pra deixar a gente à vontade) e fiquei com meu marido. Senti mais uma forte contração e pedi pra chama-la "Tá nascendo!" e ela veio. Ficou ajoelhada na minha frente no chão e papai continuou do lado direito energizando, puxando vc pra baixo. Eu estava de olhos fechados, mas cada vez que ele fazia isso, sentia vc descer claramente. Isso aconteceu mais umas duas ou três vezes. Sentia vc empurrando minhas estruturas pélvicas docemente até começar a arder a vagina. Engraçado eu so conseguir me recordar da pressão que vc fazia, mas nao lembrar nem
um pouco de como era a dor...
Quando chegamos nesse estágio, é inevitável não fazer força, ceder aos "Puxos", empurrar o bebê pra fora.

Então senti vc coroar. Coroar como uma princesa!...
Eu colocava os dedos da mão direita na minha vulva já esticada e sentia sua cabecinha.

Acho que nesse momento senti por dentro a pressão que sua cabeça fazia, algo, em alguma dimensão, parecido com um orgasmo. E se desse para me entregar mais, talvez tivesse rolado até o famoso "orgasmic birth". Espero que vc tenha cabeça aberta para compreender isso.
Foi gostoso e surpreendente sentir algo bom meio à dor. Mas é que eu estava muito à vontade em meu habitat e sabíamos que poderia acontecer. Ainda não foi dessa vez!...

Mais uma contração e vc desceu mais. Sua cabeça estava quase toda pra fora. A Helô jogava um oleozinho e eu ajeitava a vulva com os dedos. Sentia a pele muito esticada e sua cabeça já proeminete.
Eu não gritava, gemia baixo. Chamando vc, meu bebê, em pensamento para vir pra mim.

Era quase meia noite. Outra contração que demorou para chegar e era longa. Eu incrivelmente tentava fechar as pernas, sem querer e a Helô as abria. Minhas coxas tremiam na parte de trás.

Comecei a conversar contigo para que viesse pra mim. A vagina ardeu mais e sua cabecinha redonda saiu quase toda, Gritei "Ah meu bebê!" e em seguida vc pulou pra fora, chorando calmamente.
Belíssimo...

Papai te puxou do meio de minhas pernas para o meu colo e te enamoramos por vários minutos... Eu, emocionada, balbuciava palavras de bem querer e dava as boas vindas a este mundo.
Papai não acreditava. Estava pelo, com um sorriso enorme, profundo nos lábios.

Toda enrolada no cordão (pescoço, cintura, pernas), vc pousou nos meus seios. Sinal de que vc já não era muito queitinha! Olhamos muito pra vc. Seu pai te cheirou lindamente e deu um beijo loooongo na sua bochecha. E depois em mim, dizendo que nos amava e agradecendo. Eu respondi da mesma forma. Vc também nos olhava. Piscava os olhos demoradamente. Nem por um
instante vc chorou de esgoelar. Eram alguns chorinhos baixos, mostrando que estava ali. Lembro de mim, inundada de emoção, te achando a coisa mais linda desse mundo. E realmente...

Toquei suas mãos, olhei seu corpo e, como não dava pra ver, toquei seu períneo e senti sua vulvinha... "É uma menina!", eu gritei. Estava muito comovida. Agradecia a Deus e à vida por aquele presente.

Seu pai não podia parar de sorrir. Dava para sentir, mesmo que eu não pudesse olhar. Foi o dia mais feliz de sua vida, nem precisa perguntar! Estava extasiado.

Te colocamos para mamar e a Helô pediu pra fazer uma forcinha pra "parir" a placenta. Senti umas coliquinhas incomparáveis às anteriores e uns 15 minutos depois, ela saiu, pesando 1kg!

Com vc sempre em meus braços, ela limpou a região e examinou meu períneo que simplesmente não tinha laceração, mesmo com aquele bebê enorme. Apenas 3 "cortes" superficiais na parte superior da vulva e do lado. Preferimos não ter pontos e "prometi" repousar.

A Helô não queria nem que eu fosse ao banheiro fazer meu merecido xixi! Ela acabou concordando, porque sabia que eu iria assim que ela desse as costas! Fiz uns 30 litros e meio!

Pedi para acordarem o Kau. Ele queria ver o parto, mas não achamos legal acordá-lo na hora, mas pensei nisso. Depois ele até reclamou por não termos chamado. Eles o acordaram, não estava entendendo e veio ver a "rimã". Te encontrou enroladinha, ajoelhou e procurou seu rosto. Foi lindo o 1º contato de vcs. O interesse, o olhar...

Eu estava profundamente grata.
Nunca me senti tão plena.

3.900g, 52cm.
Ficamos nos curtindo por muito tempo. Seu ligou pra mãe dele que não acreditou. Liguei pra minha que falou pra eu parar de passar trote à cobrar pra ela de madrugada. A Helô teve que contar que era verdade.

Então a Helô colocou a mão na cintura, olhou pra mim e disse "... PARTAAAAAÇO!"
E é exatamente como posso traduzir.

A Helô quis ir por hotel. Disse que não poderia ficar porque "esse momento é da família". Era mesmo.

A noite estava especialmente linda e silenciosa. Perfeita. Meus gemidos e sua vozinha embalaram aquela noite de dezembro.

Perfeita. Meus gemidos e aquela sua vozinha embalaram aquela belíssima noite de dezembro.
Ninguem mais escutou nada, tao íntima foi aquela noite. Foi o parto dos sonhos de todo romântico.

Só conseguimos dormir lá pelas 6h da manhã. Seu pai ainda ficou acordado. Disse que nos olhava um a um, completamente grato por ter vivido aquilo, podido ajudar a filha a nascer com toda liberdade, pela família que construímos, por estar na liberdade da nossa
casa, não numa cadeira de hospital.

Pela manhã, demos seu 1º banho. A Helô voltou de manhã. Conversamos muito. Ela de vez em quando repetia... "Agora, Dy... partaaaaaço hein!"
Me pareceu que a Helô estava docemente eufórica, feliz por ter participado daquilo. Acho que foi uma conquista pessoal pra ela também, depois da barra que foi o 1º. Nós merecíamos.

Seu pai se mostrou um grande companheiro... Sou muito grata pelo amor que temos e por termos escolhido um ao outro.
O mano é louco por vc. Te protege, adora saber que vc usa roupinhas que eram dele. Vai ser seu grande amigo como é meu.

Aproveitamos muito aqueles dias. Quando meu leite desceu, meus seios ficaram enormes. Do 5º ao 16º dia, eu chorava de dor. Me
segurava para não gritar pra não te assustar. Eu sentia claramente que meus bicos cairiam se continuasse amamentando. Ficaram muito machucados. Aguentei firme e até hoje vc só mama peito. Nem chá, nem agua nem remédio. Com 11 dias, eu tive uma febre de quase 40ºC. Veio e foi. Pode ter sido uma infecção na mama.
A Helô voltou depois de uma semana e disse que a cicatrização estava ótima. Não usei nada.

Me sinto forte, doce, mais mulher. O parto tem muito mérito nisso. O mundo está realmente cor-de-rosa!
Ver seu rostinho tranquilo dormindo ou seu sorriso inocente me enche de felicidade. Uma plenitude que chega a cada canto do meu corpo. Eu faria tudo de novo. Nunca deixarei de demonstrar minha gratidão.

Obrigada, Aglaia.
Princesa, Rainha, Batatinha, Fofolete, Batatinha, Fofolete, Flor, Minha Gaia...
Te amo com toda minha alma. Vou cuidar de vc e ser sua melhor amiga. Vc me faz muito feliz.
Amo vc
Amo vc
Amo vc.
Mamãe do Klauss e da Aglaia 27/02/08.

postado por: MAMAE DO KLAUSS 11:33 PM


5/24/2003

Quando vc chegou

No começo de julho, eu sabia que ja estava perto da 40º semana. Mas... Boas notícias: a pressão estava boa e estável, a proteína na urina também. Só o inchaço e a gordura não melhoraram, mas regrediriam logo depois do parto. Eu fazia tudo o que as minhas parteiras elas pediam. Eu ia poder ter meu bebê em casa e em segurança.

Mas eu já estava muito ansiosa. Não via a hora dele nascer e ver aquela pessoa com quem eu havia estado, conversado e compartilhado tantas coisas por quase 10 meses e que eu esperei a vida toda...
Minha sogra tinha ido para lá para ajudar com a casa e minha alimentação, mas eu não conseguia parir e acho que teve a ver com isso. Ela não entendia que eu precisava do espaço e era difícil dizer. Acho que ela pensava que eu a queria por la e que demorei a parir porque ela estava lá. Tanto que minha mãe chegou numa segunda a noite, ela foi embora numa terça a tarde e as dores começaram na quarta a noite (10/07).

As dores começaram por volta de 22:00h e eu sabia que eram as contrações. Avisei ao pai do Kakau, meu então marido que ligou para as Enfermeiras próximo à meia noite. Elas disseram que viriam em seguida e eu danei a esperar. Elas estavam em outra cidade. Eu não dormi quase nada aquela noite, mas deixei o meu ex marido e minha mãe dormirem. Parece que eu já imaginava o que viria pela frente. As dores estavam aumentando.

Amanheceu. Eu ate consegui tomar um banhinho. Ainda bem, porque depois seria impossível. O pai do kakau então me contou que as Enfermeiras já estavam na cidade, mas dormiram num hotel para manter minha privacidade. Por volta de 8:30, eu disse ao meu ex marido que as dores haviam apertado e que ele deveria chamá-las, como elas o haviam instruído. Eu achava que a hora estava próxima.

Em seguida elas chegaram. Que alívio! Fizeram massagem, deita, senta, levanta, anda, vira... E a dor continuava. Alias, aumentava. A cada contração, ela aumentava e permanecia ate a próxima contração.

A piscina já estava a postos, só faltava encher, esquentar a água e mantê-la aquecida, o que foi dificílimo.

Passei a gestação toda planejando o registro do parto, mas na hora eu fiquei extremamente irritada. O meu ex marido pegava a câmera e eu perdia a paciência. As vezes eu fazia uma força e deixava que ele filmasse, pois sabia que me arrependeria depois, apesar de naquela hora a gente não ter muita noção do depois.

A gravidez melhorou muito a minha vida. Meu relacionamento com todos se modificou. Amadureci, passei a ter mais paciência, calma, tolerância, freios, carinho. Aprendi a silenciar e cresci muito. Em troca disso, eu precisaria sentir aquela dor na intensidade quanto na duração. Simplesmente imensa, irritante, persistente, incontrolável, concentrada, bruta, inesperada. Eu sabia que doeria, mas tinha feito todos os exercícios direitinho e não pensei que fosse ser assim.

Elas queriam que eu comesse, mas eu não queria. Acabei cedendo antes das 11:00h a um mingau de fubá que minha mãe fez e acabei vomitando-o inteiro assim que entrei na piscina uma hora depois. Eu pedia muito para ir para a piscina e elas terminaram por deixar. Eu achava que e a água era minha única esperança da dor passar ou, pelo menos, aliviar. Mas foi um erro ter insistido nisso, pois isso acabou retardando minha dilatação e, conseqüentemente, meu trabalho de parto. Não me dei conta de que a água morna ajudava na dilatação, mas atrapalhava as contrações. Elas já estavam boas e parece que regrediram. Foi nessa entrada na piscina que vomitei tudo. A sorte foi que o pai do Kakau estava jogando água na minha barriga com uma jarra de plástico e acabei vomitando na jarra! Ainda bem, porque já pensou fosse na piscina que levamos horas para encher? Que tragédia seria...

Fiquei na piscina por horas. Ate umas 14:30h. Eu tinha que sair da água, mas eu não queria, já que essa era a única maneira de aliviar um pouco a dor.

A tarde chegou e eu já estava muito cansada. Chorava de dor, de desespero, de desesperança. Pedia a Deus para que tudo passasse logo. A Helo cantava para mim uma cantiga antiga das parteiras para suas grávidas no momento do parto. Perguntei qual era a Santa do parto para rezarmos para ela, sem me lembrar que era a própria Nossa Senhora do parto... E, principalmente, sem lembrar que nao sou católica!...

Eu nunca tive medo do parto, só estava ansiosa. A dor que senti neste parto foi profunda, silenciosa, para dentro. A dor me pedia para eu entrar em mim, não para gritar. Ela foi forte, mas silenciosa e constante. Dói mais "nos quartos", "nas cadeiras" do que a própria barriga. Na hora eu achava insuportável, mas agora não acho tanto.

Eu planejei toda a gravidez registrar esse momento, filmando e fotografando, mas me irritava quando meu ex tentava fazê-lo. Eu perdia a paciência toda vez que ele tentava. Mas eu também o queria comigo, segurando a minha mão e falando que tudo ia dar certo, como ele sempre fazia.

Já bem à tardinha, comecei a delirar. Dormia e acordava dizendo coisas que não tinham nada a ver. Eu simplesmente despertava falando frases inteiras que não faziam sentido. Ninguém entendia nada nem eu. A Helo tinha dito no pré-natal a respeito do "neocortex" ou cérebro primitivo. E era ele falando mais alto!

As Enfermeiras queriam que eu andasse, mas eu não conseguia. Eu dizia que eu queria, mas simplesmente não consegui me levantar. Com muito insistência, eu acabei me sentando no vaso do banheiro, mais por elas do que por mim. Dessa forma seria mais fácil o Kakau encaixar e descer.

Até então minha bolsa não havia se rompido.
Me lembro que depois das 18:00 eu pensei que ele não fosse mais nascer. Achei que ia morrer e, pelo primeira vez, pensei em ir ao hospital. Mas eu sabia que lá seria cesárea e isso para mim seria mais que uma frustração, seria um verdadeiro fracasso.

Minha dilatação era de dois cm apenas e elas disseram que só fariam toque vaginal novamente quando achassem apropriado, mesmo que eu pedisse. E eu implorava. E eu que morria de medo do toque... Eu tinha esperança de estar dilatada o suficiente em cada toque e nunca quis tanto uma coisa quanto ouvir que estava com uma boa dilatação.

Pedi algo para a dor e elas pareciam finalmente ter cedido. Só que era exatamente para o contrario!... Mas até que foi bom porque acelerou um pouco o trabalho de parto.

Quando me tocaram novamente já passava de 8, 8:15. E a resposta que mais ansiava "8 pra 9", disse a Dra Helo. Graças a Deus, quase chorei de alegria. Mas a bolsa ainda não estava rota e elas então o romperam. Tipo uma agulha de crochê. Aquele aguaceiro quente escorreu pelas pernas. Estranho, engraçado, mas gostoso. Elas então me deixaram voltar para a piscina e me disseram que agora estava perto. Eu fiquei aliviada, mas nao acreditei muito.

Faltavam poucos minutos para as 9 quando retornei à água.

Minha mãe falava que eu podia gritar, só que a dor é para dentro, não para fora! A vontade de “gritar” só veio depois do rompimento da bolsa, quando vinham as contrações. Mesmo assim não é um grito escandaloso: era um grito de desabafo, de saída...
Tanto que quem vê a fita diz que não doeu nada. rs

Só neste momento eu percebi que o trabalho de parto estava acontecendo, evoluindo. Pelo menos, quando vinha cada contração, eu sabia que estava adiantando. O que me tirava do sério era a dor de antes que só aumentava, mas não progredia.

Já na piscina, eu fiquei sentada sozinha, do lado do pai do klauss, meio de cócoras (parecia uma perereca, uma sapa que só não pulava por causa do peso, afinal eram 90Kg de mulher) e no colo do pai... Foi ali que dei à luz. Colocava a mão na minha vagina e sentia a cabecinha dele, o cabelinho... A cada contração, ele se aproximava e eu o tocava melhor. Não via a hora de ver seu rosto, tinha esperado tanto por isto... Toda minha vida e agora estava tão perto...

As dores então se transformaram em dores de fazer cocô (maior, claro), mas bem melhores do que as contrações paradonas e secas anteriores. A cada contração, a cabecinha dele chegava mais perto das minhas mãos, dos meus braços.

Quando a Helo disse que em menos de 5 contrações, ele nasceria, eu não acreditei. Mas para mim, tudo bem, porque eu sabia que ele estava chegando. E minha situação já era bem melhor.
O papaizão me dava muita força. Me esqueço de suas palavras, mas não do tom de voz. Só me lembro que dizia várias vezes seguidamente algo como: "Vai passar" ou "Vai dar tudo certo". Minha mãe também tinha se superado. E eu nem desconfiei que ela estava prestes a me levar para o hospital.

Depois de 3 contrações bem longas, fortes e doloridas, ele enfim nasceu. Através das mãos da Mari.
Ele agora tinha um rosto. Do meu útero direto para meus braços, como sempre sonhei...

Que sensação estranha... "Como aquilo podia sair de mim", "Eu sou mãe agora"...Não é amor, nem é paixão. Não é ruim também. É êxtase, alivio, magia. Alívio é a palavra chave do pos-parto imediato. Tinha uma volta de cordão no pescoço. Ele foi cortado com meu filho nos meu braços. Enquanto eu dizia: "Ô meu coisinha, meu coisinha de meu Deus!... Ô..."

Seu chorinho, seu rostinho... Finalmente eu estava conhecendo aquele rapazinho que morou tanto tempo dentro de mim.

Só depois, ele foi limpo. Eu achava que ele não se parecia com ninguém. Nariz chato, gordo, branquelo e lindo! 51cm, 3.950g. Cinco dedinhos em cada mão e em cada pé. Todo perfeito, lindo...
Ele logo mamou. Mais tarde, depois de todos os cuidados e do alívio, as Enfermeiras nos entregaram nosso bebê e foram embora. Ficamos muito agradecidos. Somos todos muito gratos a elas e nenhum dinheiro do mundo paga o carinho, a seriedade, a firmeza, o profissionalismo, a harmonia e a cumplicidade que tivemos naquele dia.

Aprendi muito com este parto. Apesar de eu ter falado tanto em dor, não é dela que me lembro. Alias, não é possível se lembrar dela. Eu me recordo muito é da emoção, dos sentimentos e sensações. Foi tudo muito legal, tanto que quero que todos os meus filhos nasçam assim: em casa, sem anestesia, sem “atrapalhações”.

Eu agradeço a Deus todos os dias pelo presente que me deu naquela noite, 11 de julho de 2002, às 21:22. A dor foi grande, foi do jeito que tinha que ser e eu faria tudo de novo... E quantas vezes fossem necessárias...

postado por: MAMAE DO KLAUSS 5:32 PM





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